Quando criámos o Projeto Postal Amigo, há mais de seis anos, tínhamos uma missão muito simples.
Levar cartas a pessoas que, por diferentes razões, passavam dias, semanas ou meses sem receber uma única.
Ao longo destes anos vimos coisas extraordinárias.
Vimos pessoas que nunca tinham escrito uma carta descobrirem o prazer de o fazer.
Vimos idosos em lares emocionarem-se com envelopes vindos de desconhecidos.
Vimos amizades nascerem através de palavras escritas à mão.
Mas também percebemos outra coisa.
O problema não começa nos lares.
O problema começa muito antes.
Deixámos simplesmente de escrever cartas.
Hoje dizemos “Parabéns” com uma notificação.
Damos os pêsames por mensagem.
Falamos todos os dias… mas escrevemos cada vez menos.
E, sem darmos conta, perdemos um bocadinho da atenção, do tempo e do carinho que uma carta representa.
Foi aí que percebemos que a nossa missão era maior do que imaginávamos.
Não queremos apenas levar cartas a quem mais precisa.
Queremos que existam mais cartas no mundo.
Cartas para um amigo.
Para os avós.
Para um filho.
Para alguém que vive longe.
Para um professor que marcou a nossa vida.
Ou, se não tiveres ninguém a quem escrever, para uma das instituições parceiras do Projeto Postal Amigo.
Porque acreditamos que uma carta continua a ser uma das formas mais bonitas de dizer:
“Pensei em ti.”
E se conseguirmos que mais pessoas voltem a pegar numa caneta, a escolher um papel bonito e a dedicar alguns minutos a outra pessoa…
…então estaremos a cumprir a nossa missão.
Uma carta de cada vez.